A Cultura do Free contra o preconceito do “de graça”

Tenho visto muitas pessoas defendendo a cultura do free em torno desse novo mundo online em que vivemos hoje. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro – que não está disponível para download! – mas já li muita informação sobre o assunto e entendo a defesa dessa “cultura”. Porém ontem e hoje passei por experiências que me fizeram refletir até onde essa questão do de graça passa do online para o off-line.
Free Grátis - O Futuro dos Preços

Sabemos que os jovens conectados não querem pagar por conteúdo, jogos, programas, música, etc. Eles esperam que seja gratuito e que a remuneração desses fabricantes não seja o pagamento de 500 reais em um sistema operacional. Esse pensamento está muito relacionado a conteúdo online e entretenimento, mas será que a percepção é a mesma quando falamos de produtos?

Ontem em reunião com o pessoal do desafio Innovation Challange, pensamos sobre “dar de graça” o produto para gerar experimentação. A nossa dúvida foi, hoje, na sociedade brasileira até onde o dar de graça gera posicionamento positivo para uma marca. Digo isso, pois todos do grupo concordamos que dar o produto para um público mais elitizado (saindo do foco classe C) iria passar a impressão de “se estão dando é porque não presta”.
Download de música de graça

Hoje, na parte da manhã, vi a mesma reação em uma mulher que ao ler um cartaz dizendo “Aulas de aeróbica grátis” ela pensou alto: “Se é de graça o professor deve ser ruim”. Alguns minutos depois passei no mesmo lugar e havia um grupo de mulheres fazendo a aula com muita empolgação e até alguns aparelhos auxiliares.

Agora, abro espaço para você comentar sobre sua visão. O quanto esse tipo de comportamento online e off-line se integra ou se diferencia em função da cultura do free.
Será que estamos preparados para dar valor a algo entregue de forma gratuita?

Update – 02/09/10

Fui no blog do Nepô e fiz um comentário em um post relacionado ao assunto que escrevi. Ele, em seu post, respondeu meu comentário e ajudou muito na minha reflexão sobre o assunto. Compartilho aqui com vocês o comentário dele.

Meu comentário:

Nepô,
Estava, entre ontem e hoje, refletindo sobre alguns fatos relacionados a essa cultura 2.0. Concordo com você sobre a questão do Ferramentas 2.0, mas ainda não uma filosofia 2.0.
Se isso ocorre em empresas que seriam “exemplos” o que dizer de nossas congeladas empresas 1.0?

Sobre a questão do livro Free, escrevi um post hoje sobre isso.

Resposta:

Roberto, vou detalhar.

As coisas são sustentáveis.

Quando falamos de graça é que determinada coisa precisa ser dada para outra ser vendida.

Ninguém vive de vento.

O problema é que quer se vender o que deve ser dado de graça e se dá de graça o que poderia ser vendido.

Uma inversão da mudança da mídia, que tinha valor em distribuir produtos e agora gera grana prestando serviços.

Resumiria assim, li seu texto, gostei.

O Chris Anderson perdeu a oportunidade de ser Gandhi e ganhar muito + dinheiro em palestras, pois muita gente não leu o livro dele, pois não teve dinheiro para comprar.

Perdeu na base da pirâmide, mas vamos chegar lá.

O tempo é o maior aliado do futuro.

abraços,

Nepô.

One thought on “A Cultura do Free contra o preconceito do “de graça”

  1. O pessoal “conectado” realmente quer tudo de graça, músicas, filmes, etc. Mesmo em programas, fotos e serviços que são cobrados, alguns vão arrumando um “jeitinho” de burlar regras e conseguir o que querem sem pagar. Aos poucos foi surgindo o Google dominando o mercado com diversas ferramentas que antes eram bem caras… e aí softwares pagos se viram obrigados a pelo menos dar uma versão trial. Bem, e essa é nossa realidade virtual hoje.
    Quando falamos no meio offline, realmente dar de graça remete a coisa mais popular. Vemos muitas experimentações de produtos no mercado. No caso da academia, acho válida uma aula em local aberto, pois a mesma além de divulgar a academia é um entretenimento para os alunos que saem do dia a dia para uma aula diferente. Tô por fora de qual é seu produto, mas enviar releases com as amostras para veículos-alvo acho válido. Bem, tudo vai depender da forma como o mesmo será apresentado, se é uma amostrar ou produto full, local, etc. Mas neste momento, amostras me lembram sachês de shampoo ou migalhas de comida.

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