Métricas mal interpretadas e seus perigos na Internet

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Ontem vi um comercial da Mercedes-Benz sobre o novo Classe A, onde o anúncio tinha como trilha sonora a “música” Ah lelek lek lek lek lek… Quem conhece a música nem precisa ver o vídeo para saber que não faz o menor sentido ela fazer parte, principalmente sabendo o posicionamento da marca e das falhas já ocorridas na primeira tentativa de venda do Classe A no Brasil.

Pelos comentários que vi, 90% concordam que o anúncio foi mal idealizado justamente pela música, pois posiciona a marca para classe B/C, o que foge da marca. Se você pensar isoladamente pode até ser, quem sabe, que não tenha sido uma má ideia a música, mas lembrando de quem é a Mercedes-Benz você sabe que não foi bem pensado.

Nos outros 10% tem uma galera falando de “ah, viralizou”, “ah, ta todo mundo vendo o vídeo então é um sucesso”, mas essas pessoas, algumas até que devem ter falado isso pra gerar “buzz” no blog pessoal (não vou citar para não gerar link nem briga. rsrs), deveriam saber que nem tudo que viraliza é por ser bom ou faz vender mais!

Ainda tem muita gente se prendendo ao antigo pensamento de “quantos impactados”, mas na internet, exibição não é garantia de retorno. Ainda tem muito xoxo midia dizendo pro cliente que o retorno é o número de curtir da página. Não é bem assim e isso gera um problema tanto para as marcas quanto para o mercado, que ainda sofre com o “internet não gera venda”.

Viralizar não é sinônimo de qualidade, ou seja, se viralizou e não é bom não deve ser usado para posicionar sua marca. Não é porque está tocando nas rádios que vai fazer o público do carro Classe A comprar o veículo. No post do blog que comentei acima tem uma análise sobre o processo de compra, mas não inclui o fator marca, pois o processo de compra descrito é para carros populares. Quando se compra um carro de R$500.000,00 é também para ser elitizado o que foge completamente de fazer parte do grupo do “todo mundo viu” ou “todo mundo tem”, que é o grupo da música “Ah lelek lek lek lek lek”.

Quando você coloca um anúncio popular para uma marca elitizada você pode até vender mais carros populares, mas ao mesmo tempo começa a fazer sua marca perder o valor para a elite, o que faz seus maiores clientes comprarem um BMW. Não acho que o problema seja o Classe A e o fato de ser uma tentativa de vender carro popular, mas o problema é o posicionamento que a Mercedes-Benz insiste em dar para esse carro e essa faixa de consumidores.

Só para fechar, outro dia vi um post no Facebook falando de métricas e das inúmeras variáveis a serem analisadas para saber o que faz vender, como identificar onde investir mais ou menos em mídia entre outros aspectos. Infelizmente o post é em um grupo fechado, mas de qualquer modo, clique aqui para tentar acessar.

Update do post

Mais uma prova sobre o que estou falando: Fãs da BMW ironizam vídeo da Mercedes que utilizou funk em comercial

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