Música para os ouvidos

funk-carioca-evolucao-do-ritmo

Muita gente fala mal do funk, mas após o último lançamento “Malandramente” (Mc. Nandinho) me fez refletir sobre a evolução do ritmo e principalmente o caminho que as letras foram tomando ao longo dos anos.

Me acompanha nessa viagem:

Começamos essa viagem no tempo nos anos 90 com o Funk Melody com letras romantizadas onde tínhamos o “Eu só quero é ser feliz e morar onde eu nasci” ou morar na estrada da posse também estava valendo. Ainda haviam poesia nas letras e uma batida mais eletrônica.

Ainda nos anos 90 tivemos a febre Latino com o famoso “Me leva”. Infelizmente ninguém levou e alguns anos depois ele voltou com a “Renata”, mesmo ela sendo ingrata.

A mudança foi acontecendo e no começo dos anos 2000 caímos em um mix de “dói, um tapinha não dói”, Mr.Catra cometendo “Adultério” na 4×4, Tati Quebra-barraco “boladona”. Avançando na década, nos deparamos com Valesca Popozuda pedindo pra latir porque ela estava passando. E assim, caindo o nível e aumentando o número de palavrões por parágrafo² que o funk foi caminhando.

Valesca Popozuda, mais do que a Tati Quebra-barraco, ainda se tornou símbolo da luta pela liberdade feminina, brigando pela mulher que sai na noitada de sainha. Pelo lado dos homens, apesar de não brigar por liberdade alguma, tivemos o Bonde do tigrão e seus avassaladores companheiros de palco, com músicas que deixavam claro que o Tigrão é quem ia pegar ou talvez atolar na areia.

O absurdo foi ficando pior e nessa década de 2010 tivemos as mulheres mamando o bonde todo (vida loka!). Pulamos de um creu para um quadradinho de Oito (Sem comentários). Um sururu completo, mas ainda bem que a história continua.

Agora, chegando na mais recentes, temos baile de favela, mas temos também uma safada que na hora de levar madeirada se reservou e foi pra casa. Deixou o recado e dessa vez não deu ideia pra ninguém, nem tão pouco pro bonde todo!

Aguardo as próximas letras ouvirei com fé de que podemos ainda ter algo como “Na hora de levar madeirada, não apareceu pois estava estudando para o vestibular.”

Quem sabe?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *