Não é cultura do estupro. É cultura da burrice.

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– Perdeu o celular. Passou um vagabundo correndo e levou. Também, andando com o celular na mão no centro do Rio de Janeiro, queria o que?

– Foi estuprada, também, andando na rua deserta àquela hora, com uma roupa de balada. Queria o que?

– Foi assaltado no sinal. Pararam de moto do lado do carro dele e mandaram ele descer. Também, aquele cruzamento é super perigoso, todo mundo sabe. Parado no sinal vermelho ali, queria o que?

– Ela apanhou do marido. Ele chegou bêbado em casa e fazendo barulho, ela revoltada foi reclamar com ele e tomou na cara. Também, com o cara bêbado vai reclamar e quer o que?

Queria ter o direito de usar o celular na rua, de voltar para casa em segurança, de dirigir respeitando o sinal vermelho, de ser respeitada pelo marido.

A cultura do estupro não se limita ao estupro. Estamos cada vez mais culpando as vítimas pelos desvios da sociedade.

Ao invés de culpar o ladrão, culpamos a falta de descuido do dono do celular, culpamos e mulher que foi violentada, culpamos os mortos pela bala disparada.

Infelizmente não culpamos nossa burrice pela falta de senso crítico que estamos vivendo. Culpamos a mídia dizendo que manipulam de forma errada como a sociedade pensa, sem pensar que nós fazemos a sociedade.

Mas isso tudo até sermos a vítima, onde um choque de realidade ocorre e lembramos que o culpado, o ladrão, o estuprador é o outro e não a vítima.

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