O sepultamento de uma corporação falida

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Ontem, dia 19 de novembro de 2016, sofremos mais um ataque. Um dos helicópteros do órgão de segurança pública do estado do Rio de Janeiro foi derrubado por bandidos. A Polícia Militar do Rio de Janeiro perdeu 4 de seus integrantes e estamos de luto.

E não foi a primeira vez. Confira a matéria de 2009.

Isso era para ser revoltante, causar indignação na corporação e fazer com que trabalhem de modo a combater o tráfego de drogas, o crime organizado e toda e qualquer forma de crime nas ruas do estado do RJ. Infelizmente não é isso que ocorre.

A indignação se transforma em um combustível para a irracionalidade da corporação, que apenas por um momento para de aceitar o arrego do tráfego e mata aqueles que causaram a humilhação da PMERJ.

O objetivo não é impedir que novos helicópteros sejam derrubados, mas sim, fazer justiça com as próprias mãos de modo que seja uma punição exemplar – a morte – para que os demais tenham medo da PM.

A corrupção é algo que não se combate sozinho, assim como na política, em diversos outras esferas da sociedade estamos presos em um conjuntos de engrenagens destrutivos que rodam diariamente para alimentar o sistema corrupto.

Tenho amigos na polícia, sou defensor da existência da Polícia Militar, acredito que existam pessoas que querem fazer o correto na corporação. Mas assim como temos os bons, temos os maus.

Todos os policiais que aceitam arrego de bandido, que de algum modo colaboram com o crime, seja ele qual for, puxaram o gatilho junto com quem derrubou o helicóptero.

Estamos tão acostumados a ouvir coisas bizarras como:
– Meu carro foi achado, mas no depósito da PM roubaram o rádio, roda e algumas outras peças dele.

Que nem nos damos contas do quanto estamos imersos na lama.

Estamos tão acostumados a pensar:
– Não vou ligar para a PM. É perda de tempo, quando eles chegarem o bandido já até foi embora.

Que esquecemos do lado de quem a polícia deveria ficar. Do lado de quem a população deveria lutar.

É complicado defender a PM quando vemos matérias queimando a corporação ou citando casos de corrupção e crimes cometidos pelos policiais. Gostaria muito de conseguir defender, mas infelizmente estamos caminhando diariamente para o fundo do poço.

Estou triste pelo ocorrido, pelas 4 vidas, pelas 4 famílias que perderam seus entes queridos. Mas fico mais triste ainda por saber que essas 4 vidas não serão símbolo de luta contra o crime. São apenas personagens de uma história trágica que assombra nosso Rio de Janeiro.

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