Todos os dias um 7×1 diferente

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A cada dia que passa me sinto mais desconfortável ao dizer que sou carioca. O sentimento de carioca sangue bom, apaixonado pelo rio, que diz não ter sotaque mas se amarra em mandar umas gírias, que não gosta de dias nublados, que aprecia o doce balanço da musa de Ipanema a caminho do mar, esse sentimento está morrendo.

Políticos que esqueceram qual deveria ser o seu propósito, policiais que se acham acima da lei, que negociam com traficantes, que sequestram traficantes, menores de comunidades que estão se alistando no tráfico por diversão.

Estudantes que perdem aula não só por falta de professor, mas por ter tiroteio no entorno da escola e precisam se esconder no corredor, mãe que perde seu filho por bala perdida mesmo antes dele nascer, motoristas que nunca sabem onde será o próximo arrastão.

Não estamos mais com orgulho de dizer que moramos na cidade maravilhosa, a cidade não está mais maravilhosa.

O Governo Federal manda o Exército para fazer política, mostrar trabalho, mas parce não querer resolver, visto que o Governador do Estado nem sabia quantos militares já estavam presentes no estado, isso logo após sair de uma reunião com o presidente da república.

Há poucos anos chamava meus primos para virem passear no Rio de Janeiro, conhecer o Brasil. Hoje, se alguém disser que vem vou sugerir mudar de planos. Nossa cidade é apenas para profissionais, turistas aqui não sobrevivem.

Perdemos o conceito de certo e errado, tolerante a absurdo, estamos aceitando cada vez mais as tragédias com naturalidade. Ouvimos tiros dentro de casa, andando na rua, indo para o trabalho e achamos normal. Adotamos estratégias para evitar perder o celular caro para o ladrão, nos escondemos quando vemos duas pessoas em uma moto, não paramos mais em sinal vermelho.

Na teoria, o conceito de fazer o certo é tão simples que parece utópico. Lembro-me bem do filme “A corrente do bem” onde uma criança cria um modelo de pirâmide para melhorar o mundo. Tão simples e tão óbvio. Mas parece que a pirâmide criada no Rio de Janeiro é voltada para a destruição.

Infelizmente, no filme, assim como na vida real, o menino sonhador morre.

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