Vamos achar um culpado, depois, se der tempo, pensamos em uma solução.

O culpado é você

Vemos diariamente muitos problemas, muitos culpados e pouca solução. Acredito que a grande maioria da população não faz ideia do significado de “aprender com o erro dos outros” ou “estudar o passado para não repetir os erros no futuro“.

Um caso que está bombando na mídia é o massacre que ocorreu em Realengo, localizado no Rio de Janeiro, onde um homem de 23 anos entrou em uma escola pública, da qual ele era ex-aluno, e matou friamente 12 crianças.

A mídia tem colocado, sem pestanejar, o Wellington, assassino das crianças, como único culpado. Sim, ele é culpado e isso não há o que mudar, mas uma coisa que me preocupa, e que vejo isso em todos os níveis da sociedade, é que achar o culpado é o suficiente para termos uma solução.

Estamos apontando o dedo para a pessoa sem perceber que temos quatro em nossa direção – Faça o teste aponte um dedo para frente e os outros ficam para você.

Apontando o dedo

O Wellington sofre diversas agressões quando era aluno, foi humilhado e agredido fisicamente, socialmente e psicologicamente. Não tiro a culpa dele, ele é o assassino, mas e os professores que deixaram que durante a infância dele as agressões ocorressem? E o diretor da escola? E a Secretaria de Educação que não verifica o nível de qualidade das escolas públicas?

Não estou defendendo, mas o ponto que quero levantar é: Ele é o culpado, mas só ele? Isso fecha o caso e dá uma solução para que novos casos não ocorram? Será que colocar portas com detector de metais impede que pessoas revoltadas sejam “educadas” nas escolas públicas e se tornem assassinos?

Estou abordando o caso de Realengo, mas isso vale para qualquer lugar. Estamos acostumados – e acomodados – em pensar no culpado. A solução dá muito trabalho pra pensar, né? Pensar dá trabalho, né?

Novo Pensador

As vezes nem é tão ligado a problema, culpado e solução. As vezes existem rotinas diárias que podem ser repensadas e melhoradas, mas vemos apenas o lado “fácil” de repetir o que já está sendo feito.

Aprendi a lição de vamos “achar a solução, depois vemos se precisamos de um culpado” no quartel, em uma missão realizada no Parque Nacional de Itatiaia.

Uma equipe com 1 capitão, 3 tenentes (eu era um deles), 4 sargentos e 6 soldados. Estávamos no Parque Nacional montando os equipamentos de rádio quando percebemos que havia 1 cabo de fonte faltando. Sem esse cabo nada seria ligado e a missão não aconteceria.

Ficamos, os 3 tenentes, tentando achar um culpado. Quase 10 minutos e um empurrando a culpa para o outro até que o capitão parou nossa “produtiva discursão” e falou:

Enquanto vocês ficavam achando um culpado eu já descobri a solução.

Ficamos em silêncio, recebemos as ordens para solucionar o problema da falta do cabo e a missão aconteceu.

Logicamente não foi tão simples, a frase do capitão não foi tão curta e nem tão educada. rs. Mas a questão é que 3 pensaram em um culpado e 1 achou a solução. Mesmo se soubéssemos quem era o culpado, que até hoje não foi levantado, ainda sim a missão não aconteceria.

Sendo assim, espero que você, na próxima vez que tiver um problema na sua empresa, pense primeiro em uma solução, depois, se necessário, em um culpado. Acredito que isso vai ser muito mais produtivo.

2 thoughts on “Vamos achar um culpado, depois, se der tempo, pensamos em uma solução.

  1. Só adiciono que, como o objetivo do assassino junto com a repulsa, vide o depoimento cabelereiro do cara, consciente ou inconscientemente era chamar atenção, vendo toda essa repercussão na mídia, ele venceu no momento que fez a presidente da nação chorar em rede nacional. Acho que agora já deu pra perceber que depois de anos esse sistema de ensino não funciona mais.
    Concordo demais nos aspectos e pontos de vista de vista do post, mas acredito que essa era do “politicamente correto” seja o veneno quase irreversível da convivência da sociedade. Hoje o sarcasmo é considerado ofensivo.
    Hoje tudo é bullying. Colocam toda a culpa da depressão e agressividade da sociedade em uma palavra (assim como “trollagem” no mundo virtual). Escolheram o caminho mais fácil: o da crítica. O difícil é fazer, agir.
    Quando o rumo é tomado pro lado errado, poupa-se mais tempo voltando até chegar ao ponto que se iniciou o erro e, aí sim, começar a progredir no caminho certo do que permanecer no mesmo caminho definhando uma sociedade inteira.

  2. Geninho,

    É como você falou, hoje estão chamando tudo de bullying. É mais fácil culpar o “bullying” do que pensar em uma solução.
    E quando falamos em governo, é mais fácil achar um culpado e dizer que está preso do que fazer investimentos e evitar que novos problemas ocorram.

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